Comportamento versus sucesso profissional

Segundo Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, as pessoas são contratadas pelas suas competências técnicas, mas são demitidas por seus comportamentos – ou falta de competências comportamentais e de relacionamentos interpessoais (soft skills).

Em artigo anterior, mencionei que o sucesso profissional depende apenas 15% de competências técnicas (hard skills). Porém, a maioria das atenções e investimentos é direcionada para essas competências – enquanto os 85% ligados ao comportamento e relacionamento interpessoal são praticamente esquecidos. Isso se deve ao fato de não ser facilmente perceptível o peso e a influência do comportamento e o relacionamento profissional.

A Revista Você RH, de dezembro/2017, traz a matéria de capa “Procuram-se talentos digitais”, onde é mencionado que as aptidões interpessoais têm sido priorizadas até em empresas tradicionais de tecnologia. Um exemplo é a Adobe. Com 15000 funcionários em todo o mundo, há poucos anos a empresa determinou que as contratações priorizassem o comportamento, ante a formação e o conhecimento técnico.

Será que existe uma explicação para as diferenças de comportamento? Claro que sim. Um estilo comportamental é a forma natural de uma pessoa agir e uma resposta automática para uma certa situação. O modelo DISC mostra que existem quatro estilos comportamentais e cada um deles é uma combinação de dois dos conjuntos de características mencionadas a seguir.

Vamos fazer um teste rápido: aponte dois itens abaixo com alguma característica que identifica você:

1 – Ativo, rápido, assertivo, dinâmico, extrovertido.

2 – Pensativo, ritmo moderado, calmo, metódico, cauteloso.

3 – Receptivo, focado nas pessoas, empático, aceitador, agradável

4 – Questionador, centrado na lógica, objetivo, cético, gosta de desafios.

Se a escolha foi 1 e 4, significa que você tem o estilo “Dominância” ou “D”. É um indivíduo é direto, orientado a resultados, firme, obstinado, vigoroso e adora resolver problemas e mudanças.

Caso sua escolha tenha sido 1 e 3, isso indica que você tem o estilo “Influência” ou “I”. São pessoas muito extrovertidas, entusiastas, otimistas, espírito elevado, que agem baseadas em relacionamento, falam muito e também adoram mudanças.

Quem escolheu os itens 2 e 3 tem o estilo “Estabilidade” ou “S” (do inglês Steadness). É um indivíduo paciente, calmo, tranquilo, cuidadoso, humilde, diplomático e que não gosta de mudanças bruscas.

Finalmente, a escolha dos itens 2 e 4 indica uma pessoa com estilo “Cautela” ou “C”. É analítico, reservado, preciso, privado, sistemático e que também não gosta de mudanças bruscas.

O modelo DISC foi desenvolvido a partir de pesquisas do psicólogo norte-americano William Moulton Marston e apresentado em seu livro “As emoções das pessoas normais”, lançado em 1928. Segundo esse modelo, nós somos uma mistura dos quatro estilos, com destaque para um ou dois deles. Não existe um estilo melhor ou pior, todos têm os seus pontos fortes e fracos e podem ser mais ou menos eficazes. Também não devemos usar o DISC como uma desculpa para evitar tarefas ou justificar comportamento inadequado. A partir do modelo de Marston, outros psicólogos desenvolveram testes que determinam qual é o estilo comportamental natural das pessoas e que apresentam uma série de informações muito importantes para o desenvolvimento pessoal: pontos fortes, motivações, medos, reações em conflitos, etc.

O DISC é uma extraordinária ferramenta para o desenvolvimento de competências relacionais e de comunicação, contribuindo intensamente nos resultados profissionais e consequentemente nos resultados das empresas e organizações.

Conhecer o seu perfil comportamental é o primeiro passo para se desenvolver e conquistar uma carreira de sucesso, seja atuando individualmente, em equipe, na gestão de conflitos, no relacionamento e até mesmo em liderança. Faça uma avaliação DISC – existem opções gratuitas na Internet, porém as que fornecem informações com maior profundidade e exatidão são as que  foram validades por pesquisa e valem cada centavo investido nelas, pois você recebe uma devolutiva bem detalhada dos pontos fortes e dos pontos fracos que precisam ser desenvolvidos. Aí é só definir o(s) meio(s) para o desenvolvimento, que pode(m) ser coaching, treinamentos comportamentais específicos ou até psicoterapia.

Sucesso!!!

Edgar Amorim

Instrutor certificado Everything DiSC® formado pela Wiley Publishing, nos EUA, Coach Executivo e analista comportamental pela Sociedade Latino Americana de Coaching, associada da International Association of Coaching (IAC). Pós-graduado em sócio-psicologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, MBA em Administração de Negócios pelo Instituto Mauá de Tecnologia e Engenheiro Eletrônico pela Faculdade de Engenharia São Paulo. Tem mais de 40 anos de experiência em organizações de vários portes, incluindo multinacionais, onde assumiu funções de operações e executivas.